quarta-feira, 19 de maio de 2010

Férias? Que férias? Ah, sim... Que férias!

Nasci em Santa Maria e lá vivi até meus 28 anos. Desde que deixei minha cidade, há mais de dezessete anos, nunca mais retornei. Isso até minhas últimas férias.


Bem, após um trabalho de meses, baseado em envios de mensagens subliminares, convenci o maridão e o filho caçula – a mais velha está definitivamente desobrigada de seguir a mãe até o fim do mundo – de que deveríamos dar um fechamento de ouro a nossas férias. Como? Fazendo uma viagem de não sei quantos quilômetros em nosso possante Palio usado recém adquirido. Destino? Santa Maria. Esclarecendo: saída de Igrejinha.

Data para saída marcada. Preparativos, óbvio a meu cargo, ultimados. Partimos.

As encrencas começaram já na passagem por Estância Velha. Um descuido do motorista, que suponho não confie em mim para dividir a direção na estrada, custou um pára-choque danificado.

Em Montenegro nos perdemos. Após rodarmos vários quilômetros em uma monótona estrada em linha reta, percebemos que tomávamos o caminho para a serra e nosso destino era o centro do Estado. Tudo bem. Sem crise. Eram férias. Não deixamos que esses detalhes mesquinhos perturbassem-nos, pois estávamos indo à “cidade cultura”. Muita coisa bonita para ver.

Ao passarmos por Agudo, por volta de duas horas da madrugada, encontramos o que? Um rio enorme cuja ponte fora levada pela enchente. Mas, fomos em frente após pedirmos socorro para o telefone de emergência, já que àquela altura nem eu sabia onde estávamos.

Seguimos por um desvio em estrada de chão. Acho que era uma estrada de pedras, não de chão. Nossa! Quanta pedra naquele desvio! Que peninha do Palio!

Horas depois chegamos enfim à cidade “Coração do Rio Grande”.

Poucas horas de sono em um hotel barato e fomos os três visitar a bela cidade que eu descrevera aos meus dois acompanhantes, durante os meses que antecederam a viajem.

Tristeza atroz! A cidade de minhas recordações não existe mais.

Locais antes usados para produzir arte e cultura foram destruídos. Doeu o coração ver o estado de abandono da Estação Ferroviária, da Avenida Rio Branco e mesmo do centro da cidade.

O remédio foi pedir desculpas aos frustrados visitantes das minhas lembranças e concluir que é melhor guardar a imagem da recordação que tentar retornar à imagem real. Nesse caso ela não existia mais.

Mas não foram apenas agruras. Vejam só! Depois de seis anos convivendo sob o mesmo teto, nós três passamos todo um final de semana juntos, não um em cada canto preocupado com suas próprias coisas.

Com todos os percalços do caminho, valeu a viagem, pois o destino bem pouco importa quando estamos próximos de quem amamos. Além disso, visitei pessoas muito, muito queridas, que há bastante tempo eu não via. Essas, com certeza, é melhor rever do que guardar apenas na lembrança.



15.05.2010.

Um comentário:

  1. muito bonito,leve, sentimento familiar interiorisado e expresso com profundidade, o que instiga o leitor a interessar-se pela leitura até o fim pela leveza do que transmiti a escrita pessoal da escritora.

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